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15 março 2011

O cão pequenino

O cão pequenino

Por António Torrado

Cristina Malaquias

Boas Leituras!!!





Ele há cães de muitas raças. Cães de muito pêlo. Cães de pêlo raso. Cães de grandes orelhas caídas. Cães de pequenas orelhas espetadas. Cães enormes. Cães minúsculos.

Pois, há tempos, eu conheci uma senhora que tinha um cão muito pequeno. Tão pequeno, tão pequeno que a dona do cão só com lupa conseguia vê-lo.

- Não me dá despesa nenhuma - dizia a senhora. - Com duas migalhas fica com a barriga cheia.

E as outras senhoras, que tinham cães, todos eles muito maiores, e enormes contas no talho para pagar, deitavam contas à vida e ao preço da carne e dos ossos.

Mas, um dia, a dona do cão perdeu o cão.

- Ó cãozinho!

E o cãozinho, nada.

- Ó cãozinho!

E o cãozinho, nada. Não aparecia.

11 março 2011

História do Dia: As duas panelas

A História do Dia de hoje chama-se As duas panelas. Aqui fica um excerto.

Boas Leituras!!!

As duas panelas

Eram duas panelas. Uma de ferro e a outra de barro. Estavam as duas à venda, entre outras panelas e tachos, num mercado, à beira da estrada.

- Quanto custa aquela? - perguntou um homem, apontando a panela de ferro.

O vendedor disse o preço. Era carote.

- E aquela? - perguntou o homem, apontando a de barro.

O vendedor disse o preço. Era baratucho.

- Mas se levar as duas, faço-lhe um bom desconto - acrescentou o vendedor.

O homem aceitou. Valia a pena.

Afinal, não valeu. Metidas no mesmo saco, aconteceu que, com os solavancos da viagem, a panela de ferro rachou a panela de barro. Rachou-a e partiu-a.

Quando o homem chegou a casa e tirou as compras que tinha feito, viu, desolado, a panela de barro reduzida a cacos.

- Não devia ter posto as duas juntas - reconsiderou o homem.

Perdeu uma panela, mas ganhou uma lição. Do mal o menos?

10 março 2011

História do Dia: O anel

Aqui fica um excerto da História do Dia de hoje!

Boas Leituras!!!


A madrinha tinha-lhe dado um anel. Não seria grande coisa, um enfeite apenas, mas a Lídia gostava muito do seu anelinho.

De uma vez que estava a fazer bolas de sabão, à beira de um lavadoiro público, o anel escorregou-lhe do dedo e caiu à água. Há que dizer que o tanque era fundo.

Por perto, nenhuma pessoa crescida. Que fazer?

A Lídia experimentou com uma cana, mas como a água estava turva, não deu com o anel.

Então, e só então, a Lídia chorou.

Um senhor que ia a passar, viu-a naquela desolação e perguntou-lhe o que sucedera. Ela contou.

- Vamos lá ver se eu resolvo a situação - disse o senhor, tirando o casaco.

Arregaçou a manga da camisa e enfiou o braço na água. Tacteia aqui, tacteia ali, encontrou um anel.

04 março 2011

Escritor do Mês: António Torrado

Hoje, a História do Dia, de António Torrado, chama-se O romeiro, o vento e o sol.
Aqui fica apenas um pequeno excerto, pois se quiseres conhecer melhor a história...passa na tua Biblioteca!!

Boas Leituras!!!


Consegue-se às boas, mansamente, o que não se consegue a mal, à força, de repelão. A melodia de uma flauta abre mais janelas do que uma trovoada.
Vou exemplificar.
O Senhor Vento e o Senhor Sol, lá do seu miradoiro, observam o que se passa cá em baixo. Os dois dispensam binóculos.
Estavam eles entretidos, na sua quadrilhice de varanda, quando viram um romeiro, daqueles que percorrem a pé os caminhos que vão dar à galega Compostela.
Ia de chapeirão e larga capa, que o cobria até aos pés.Nodoso cajado de ajudar às subidas, um saquitel ao ombro e a cabaça à cintura, para o vinho que aquece, eis o quadro completo do devoto de São Tiago, o Apóstolo, com catedral famosa na cidade de Compostela.
- Aquele, ali, todo embiocado, que nem se percebe quem será, se é velho, se é novo, se é loiro, se moreno, está a irritar-me - disse o Senhor Vento, muito dado a caprichos.

03 março 2011

Escritor do Mês: António Torrado

Aqui fica um excerto da História do Dia de hoje!  

Boas Leituras!!!



Há quem diga que o meu amigo Alípio é um grande mentiroso. Eu não acredito.
Grande mentiroso não é. Quanto muito, será um pequeno mentiroso, o que faz a sua diferença.
A última história que ele me contou, diz ele que lhe aconteceu na estrada.
Ia a guiar o calhambeque, quando o motor deu um estrondo e parou.
- Estou bem aviado - disse o Alípio, que não percebia nada de mecânica. - Uma avaria destas, no meio do campo, numa estrada sem trânsito?
Pelo sim, pelo não, levantou o capot e pôs-se a espreitar para dentro do motor enfumarado. Que intriga! Olhou em volta. Ninguém que lhe valesse.
Só um cavalo branco, ali perto, a pastar, em sossego. O cavalo relinchou, amigavelmente, e aproximou-se do Alípio e do motor do automóvel. Ao lado do desanimado Alípio, o cavalo debruçou-se para a caixa das geringonças e disse:
- É do carburador.

02 março 2011

Escritor do Mês: António Torrado

Aqui ficam imagens do nosso escritor do Mês, António Torrado!


Boas Leituras!!!


História do Dia: O Papagaio bem ensinado

Gostas de aves?
Então lê esta história escrita por António Torrado. Está incompleta... se quiseres saber como termina, passa na tua Biblioteca!!

Boas Leituras!!!

Era um papagaio muito bem ensinado. Tinha poiso à porta de uma mercearia. De uma vez que o merceeiro estava lá para dentro, um freguês, por pirraça, ensinou o papagaio a dizer: ?Está tudo podre".
E o papagaio, de aí em diante, não disse outra coisa. O anúncio, lançado aos quatro ventos, afastava a clientela. Mal chegava alguém ao balcão da mercearia, o papagaio avisava:
- Está tudo podre.
Ficava furioso o merceeiro:
- Este papagaio leva-me à ruína - dizia o merceeiro. - Tenho de dá-lo.
E assim fez. Deu-o a um barbeiro.
Por sinal, o tal malandrote, que convencera o papagaio a dizer ?Está tudo podre", também frequentava a barbearia. À socapa, ensinou-o a dizer: ?Corta-lhe a orelha".
O papagaio passou a repetir. Por tudo e por nada, assim que o cliente se sentava na cadeira, o papagaio pedia:
- Corta-lhe a orelha.
Isto enervava o barbeiro e enervada o barbeado.

01 março 2011

História do Dia

A História do Dia proposta, hoje, por António Torrado chama-se Comichão de Cão ... e já sabes o que tens de fazer! Se quiseres saber como termina, passa na tua Biblioteca e lê!

Boas Leituras!!!



O meu cão está com comichão. Coça-se desenfreadamente, todo o santo dia.
- Queres tomar uma banhoca? - pergunto-lhe eu.
Mas ele foge-me. Diz que não é cão de água e que as pulgas são dele, só dele, muito dele.
O meu cão tem um azar ao banho que nunca vi.
- Preferes continuar com essa comichão, preferes?
Ele diz que sim e coça-se.
Mas isto não me parece bem. Quem o vir naquele desespero o que dirá? Que o dono é um porco, porque nunca dá banho ao desgraçado do cão.
Tive de tomar providências. Fui passear com ele à praia e, de repente, sem me despir, atirei-me para o meio das ondas. Ele que me segue para todo o lado, seguiu-me. Coisas do instinto, de que rapidamente se arrependeu, mas já era tarde. Estávamos os dois a nadar, cada qual no seu estilo. Eu tiritava, porque o mar de Março é gelo derretido. Nunca experimentem.

25 fevereiro 2011

História do Dia

 Aqui fica a História do Dia, de hoje, de António Torrado.

Boas Leituras!!!

A Rainha da floresta


Era um lenhador. Passava o dia na floresta, a cortar árvores. Os filhos traziam-lhe o almoço que ele comia à pressa, para voltar, depois de uma breve sesta, ao seu trabalho. Era muito cansativa a vida dos lenhadores.
Uma tarde, ia ele desferir a primeira machada numa grande árvore, quando ouviu conversar dentro do tronco. Estranhou. Espreitou. O tronco era oco e, lá dentro, dois velhos de longas barbas, um diante do outro, muito solenes jogavam às damas.
- Não nos interrompas - disseram os velhos.
O lenhador aguardou que tempos, entretido, ele também, a assistir ao desenrolar da partida, que nunca mais se decidia.
A certa altura reparou que as barbas dos dois velhos tinham crescido imenso, enquanto eles jogavam. O lenhador, a medo, chamou-lhes a atenção para este estranho facto. Os velhos riram-se:
- Passou-se mais tempo do que tu imaginas.
De facto, a árvore estava maior e a floresta mais cerrada. Que teria acontecido?
Sobressaltado, o lenhador voltou à aldeia, mas já não encontrou ninguém conhecido. A casa, a mulher e os filhos tinham desaparecido e ninguém se lembrava deles.

24 fevereiro 2011

História do Dia

António Torrado apresenta-nos hoje uma história bastante interessante e que não deves perder! 
Já sabes, passa na tua Biblioteca e vê como termina!!!


Boas Leituras!!!


 Uma história de encantar com batatas

Um camponês, que vivia no meio das serras, só tinha a filha por companhia. Por sinal que era uma linda menina.
Estava ele a semear batatas e apareceu-lhe um morcego.
- Vou casar com a tua filha - disse-lhe o morcego.
- Tu? - indignou-se o pai da menina. - Quem te dá autorização para tal?
- Hás-de tu dar-me - respondeu-lhe o morcego. - Eu sou muito rico. Descobri um tesouro, numa gruta. Anda ver.
Foram ver. Era verdade.
O camponês ficou muito embaraçado. Ele só queria o bem da filha e aquele tesouro podia proporcionar-lhe tudo o que ela desejasse. Mas casá-la com um morcego era demais. O camponês, então, levantou a sachola e deu uma sacholada no morcego.
O pobre bicho, que não esperava esta recompensa, cambaleou, esvoaçou, desamparado e fugiu pela entrada da gruta.
?Não há-de ir longe", pensou o camponês, fechando à chave o cofre do tesouro e metendo a chave no bolso.
Não foi longe, não. Com uma asa fendida, o morcego foi embater de encontro à vidraça da janela do quarto da filha do camponês.
- Pobre bichinho - condoeu-se a rapariga. - Quem te teria feito tanto mal?

23 fevereiro 2011

História do Dia

A História do Dia de hoje chama-se Quem é o Rei? e ...
se quiseres saber como termina, passa na tua Biblioteca e lê a história ou, então, consulta http://www.historiadodia.pt/.

Boas Leituras!!!

Quem é o Rei?

O velho leão acordou mal disposto. Para desanuviar o corpo e o espírito saiu da gruta e, majestosamente, foi dar o seu passeio matinal.
Encontrou um leopardo e perguntou-lhe:
- Ouve lá, ó tu, quem é o rei da selva?
O leopardo, a tremer, respondeu:
- És tu, poderoso leão.
Depois, encontrou uma hiena e perguntou-lhe:
- Ouve lá, ó tu, quem é o rei da selva?
- És tu, poderoso leão - respondeu a hiena, atarantada.
Mais adiante, encontrou um gato do mato e perguntou-lhe:
- Ouve lá, ó tu, quem é o rei da selva?
- És tu, poderoso leão - respondeu o gato do mato, num grande pânico.

22 fevereiro 2011

História do Dia

Cá fica a História do Dia de hoje. 
Se quiseres saber como termina, já sabes, passa na tua Biblioteca!!

Boas Leituras!! 

Era uma vez um viajante que se perdeu no deserto. Não sei se já andaram no deserto, mas se não andaram, imaginem.
É fácil uma pessoa perder-se no deserto. Não há sinais de trânsito nem setas a apontar. Não há ninguém a quem perguntar o caminho. Nem sequer há caminho.
Só areia, areia, areia, a perder a vista. Uma maçada.
Pois este viajante, que se tinha perdido no deserto, desesperado, pôs-se a gritar:
- Acudam-me, acudam-me, senão eu morro de sede, de fome, de calor?
Um escorpião do deserto condoeu-se da aflição do viajante e disse-lhe:
- Foge senão eu pico-te.
Os escorpiões são venenosos, não sei se sabem.
O homem, ainda mais assustado, correu, à frente do escorpião.
- Segue adiante ou eu mordo-te - gritava-lhe o escorpião de tenazes

21 fevereiro 2011

História do Dia



A História de hoje chama-se Fim feliz ou infeliz? e podes ficar a saber mais sobre a mesma se consultares http://www.historiadodia.pt/


Boas Leituras!!!

O abutre, no ar, e o chacal, na terra, têm uma grande parecença. Ambos se alimentam de detritos, restos putrefactos que os outros animais, mais destemidos na caça, abandonam, depois de saciados. Este gosto comum por tudo o que mete nojo é que os une.
Mas não lhe queiramos mal. Estes e outros bichos que tais, como o condor, que é da família do abutre, ou a hiena, parente próxima do chacal, são essenciais à vida. Não fossem eles e a carne em putrefacção ou os animais doentes contaminariam a natureza e provocariam epidemias.
Tudo certo, mas não deixam de ser repugnantes.
Na nossa história, o abutre e o chacal associados acompanhavam o rasto de uma velha zebra combalida. Faziam apostas:
- É para hoje - dizia o chacal.
- É para amanhã - dizia o abutre.
- Em qualquer dos casos, temos banquete para de aqui a um mês - concluia o chacal.
A zebra velha atardava-se e as restantes da manada encurtavam o passo, para se não despegarem dela.
Uma zebrinha, neta da zebra doente, animava-a.
- Coragem, avó. Já pouco falta até chegarmos ao rio.
- Não chego lá - queixava-se a velha zebra. - Sinto aproximar-se de mim o cheiro nojento do chacal.
Longe, espiando, o chacal avisou o abutre:
- A velha está a falar de mim.
- E o que diz? Diz bem? - quis saber o passaroco.

18 fevereiro 2011

António Torrado/ História do Dia

Passa na tua Biblioteca e lê a História do Dia de António Torrado.
Podes obter mais informação sobre esta História em  www.historiadodia.pt/.


Boas Leituras!!! 

A Bola de pingue-pongue

Era uma vez uma bola de pingue-pongue.
Um dia, a bola de pingue-pongue disse assim:
- Já chega de andar aos trambolhões de um lado para o outro: encontrão daqui, safanão ali, toma lá, dá cá e volta ao princípio, numa roda viva entres duas senhoras raquetes. Afinal nunca passo da mesma mesa.
Realmente, aquela vida de tão, badalão, e torna e deixa o pingue e pongue e pongue e pingue cansava qualquer um, quanto mais uma bola de pingue-pongue com aspirações a outros voos?
- Ainda se fosse uma bola de futebol - suspirava ela. - Corria o campo de lés a lés e, quando fugisse para dentro das redes, punha tudo a gritar: goooolo! Era mais emocionante. Mas, mesmo assim, deve haver melhor destino.
É que havia mesmo. E a pequenina bola de pingue-pongue queria conhecê-lo. Ser bola de futebol, de basquetebol não lhe bastava. O que ela queria era correr mundo!
E foi. Saltaricou da mesa para o chão, desceu escadas, escorregou por colinas, e foi ter - vejam bem a sorte que ela teve! - e foi ter a um sítio muito especial, que era assim a modos que um centro espacial. Deste centro especial espacial atiravam para os céus bolas e bolinhas, que uma vez lá de cima, a dançar no meio dos astros, lançavam para a terra uns sinais esquisitos - bip! bip! bip! - como se fossem grilos? Mas não eram grilos essas bolas espaciais. Eram satélites dos artificiais.
- Se as outras conseguem, também eu hei-de conseguir - pensou a bola de pingue-pongue.

17 fevereiro 2011

Biografia de António Torrado



António Torrado nasceu em Lisboa, em 1939, mas tem raízes familiares na Beira Baixa.
Poeta, ficcionista, dramaturgo, autor de obras de pedagogia e de investigação pediográfica, é considerado, acima de tudo, um contador de histórias com relevância nacional e internacional. Muitos dos seus livros e contos encontram-se traduzidos em várias línguas.
Foi jornalista, editor, professor, produtor principal e chefe do Departamento de Programas Infantis da RTP. A sua biografia regista actualmente mais de 120 títulos, a maioria centrada na produção literária para crianças, a qual foi contemplada em 1988, com o Grande Prémio Calouste Gulbenkian de Literatura para Crianças. Alguns dos seus livros foram incluídos na Lista de Honra do IBBY – International Board on Books for Young People. Escritor reconhecido e importante no panorama da Literatura Portuguesa, vê a sua obra ser reconhecida por vários críticos, como é o caso de José António Gomes, crítico e investigador, que sobre o autor afirma “Torrado impôs-se como uma das figuras de maior relevo da nossa literatura do pós - 25 de Abril e dificilmente se encontrará hoje um autor que, de forma tão equilibrada, saiba dosear em livro o humor, a crítica e os sinais de um profundo conhecimento do imaginário infantil."


Informação disponível em: http://www.alpiarca.pt/biblioteca/pdf/antonio_torrado.pdf


Boas Leituras!!!
                                 

16 fevereiro 2011

Escritor do Mês: António Torrado

De 15 de Fevereiro a 15 de Março, a nossa Biblioteca dedica o Mês do Escritor a António Torrado.
Na BE podes ficar a conhecer mais sobre a vida e obra deste autor, assim como terás acesso à lista das suas obras existentes no nosso espaço. 
Se quiseres requisitar algum livro dele, já sabes o que tens de fazer: diriges-te à recepção e entregas o teu cartão de leitor. Depois, tens uma semana para o leres!! 
Como vês, é muito fácil!! 
Não percas, então, a oportunidade de conhecer melhor um escritor!!

Boas leituras!!!
A
Antón